- Quando eu soube, que minha madrinha havia ficado grávida, eu não acreditei. Era inacreditável, ela sofreu tanto com homens, e logo ali, teria um filho. Pra mim, uma dádiva. Seria eu, madrinha dele. Mesmo nova, seria eu. 2005. Era muito criança, e ainda não sabia muito de como cuidar de um bebê. Mas, o que importava? Eu iria amá-lo, sendo menino ou menina. E por isso, esperei os noves meses, atenta, porque queria estar a parte de tudo. Mas não deu, seu nascimento caiu no dia 20 de agosto. Tinha aula. Época de provas. Péssimo pra mim. Minha mãe não quis deixar eu faltar, e bom, no batizado, só foi falado o meu nome, mas mesmo assim, foi como se eu estivesse presente. Um mês, mais ou menos, depois, minha madrinha veio a minha casa, e eu conheci aquela coisa fofa. Gabriel. Ele tinha nascido com um problema no pé. Estava com gesso, iria ter que fazer uma cirurgia. Sim, ele tinha nascido com o pé torto, e se continuasse, iria atrapalhar no seu desenvolvimento, pois ele iria demorar a aprender a andar. Alguns meses depois, foi feita a cirurgia. Férias. Coisa linda, a gente brincava muito. E ele me chamava de “dindinha”. Era tão lindo, aquela coisa tão pequena, já criando uma apreço enorme por mim. E eu, cada vez me apegando mais. E os anos se passando, ele crescendo, e virando um homenzinho. Passou a me chamar de “tia keka”. Sim, eu amava quando ele me gritava. 2009. É, ele cresceu, mas eu também. Passou a fase de ficar brincando, e fazendo palhaçadas. Mas ele agora estava no auge de tudo. E eu não tinha ainda todo esse interesse. Mas como o amava, fazia de tudo por ele. Ainda brincava, corria, e fazia bagunças.
- Ele sempre morreu de ciúmes de mim. Brigava com meu namorado, mesmo tão novinho. Adorava brincar de Batman e fingir que podia bater em todo mundo! E ele foi crescendo, até que quando eu me casei, ele já era um homem, e tinha suas namoradas. Nunca deixamos de ser amigos, ele virou o meu melhor, sempre contávamos tudo um pro outro, e até saíamos muito juntos. Parecíamos mais amigos, que do parentes. Ele ainda pendia benção, mas sempre íamos pra baladas juntos, cinemas e tudo. Era uma verdadeira amizade. Eu o amava muito. Até que um dia, ele foi estudar fora do país. Ele queria fazer engenharia mecânica, e iria se especializar, pra ter um futuro melhor. Um rapaz lindo, muito cobiçado. Eu sempre tive orgulho dele, mas nesse momento, a saudade apertava muito. Sempre o criei como filho, e agora, que tinha gêmeos, queria ele por perto, para me ajudar com tudo, e ele ser amigo dos meus filhos.
Ele sempre me mandava cartas, presentes, e vinha me ver em suas férias da escola. Ficava pouco tempo, mas eu me contentava, claro. Até que um dia, ele arranjou um namoro sério, e eu fui a primeira pessoa a saber. Ele perguntava de tudo, como ele tinha que agir, como ele poderia ser um namorado melhor, queria saber de TUDO. E então, eu fiquei muito feliz, e o ajudei. Ele acabou conquistando muito a menina, mas ela era de lá, e a escola havia acabado, ele já tinha feito 23 anos, e eu já tinha 31. Uma enorme diferença. Ele queria se casar, mas pra isso, teria que continuar fora do país. E ele ficou numa dúvida cruel, não sabia o que fazer. Não queria deixar a família toda aqui, mas não queria abandonar a mulher que amava. E então, certo dia, ele começou a pensar em tudo que tinha feito até aquela idade. Pensou naqueles que o fizeram feliz, e na sua amada. Brigou muito consigo mesmo. Realmente não sabia o que fazer. Já tinha chorado um pouco, não estava agüentando essa indecisão. Então, pensou em ligar para Isabella, sua madrinha. E o fez. Ela muito chateada e confusa, disse pra ele seguir seu coração, que se ele a amasse, e ela também o amasse, que não o deixasse, que ficasse com ela, mas que se ele não tinha certeza disso, voltasse pra casa:
- Gabriel, meu amor, você sabe melhor do que eu da sua vida. Eu não a conheço, não sei como vocês dois são juntos, não posso julgar tudo, só sei que sinto muito a sua falta, e todos aqui também, Henrique está com saudades, seus priminhos também. A sua mãe, chora muito por você estar tanto tempo longe, todos aqui meu lindo. Mas eu não vou influenciar em nada...
- Mas tia, eu preciso de alguma conselho! Eu amo a Júlia, mas eu não sei se quero continuar aqui em Londres.
- Faz o que manda seu coração, Gabriel. Siga o que seja melhor pra você. Pense em você primeiro.
E então, ele o fez. Alguns dias depois, o telefone de Isabella toca. O que seria? Seus filhos estavam na escola, era turno de manha, ela só trabalhava quando a chamavam, ficava a maioria do seu tempo, com os filhos, e o marido trabalhava de dia, mas sempre estava em casa. Ela estava sozinha no momento, e por isso atendeu o telefone:
- Alô?
- Tia?
- Sim, sou eu Gabriel.
- Bom tia, eu vim pra avisar, que eu to muito feliz com a Julia e...
- Vocês se casaram? – Diz Isabella chocada.
- Não tia, to no portão da sua casa, esperando você abrir, porque viemos te ver e eu não vejo a hora de te dar um abração! Isabella, meio emocionada, corre em direção ao portão, e abraça o afilhado, aperta muito, e chora. Dá um abraço em Julia, que era brasileira também. A achou muito bonita. Era bem o “tipo” de Gabriel. Riu ao pensar assim. E levou eles pra dentro. Conversaram muito, e Gabriel contou que Júlia aceitou vir morar aqui, porque a mãe dela morava aqui, só alguns tinham ido com ela para Londres. E Isabella não podia ficar mais feliz com essa notícia. Ela logo prepara para ir fazer um almoço, e eles ficam no sofá.
Gabriel vai pra cozinha, para matar a saudade da madrinha-tia. Ele diz o quanto pensou nas palavras dela, e o quanto ele amava de verdade Júlia, mas não podia ficar sem ela, nem sua mãe, e toda a família.
- Fico feliz meu amor, por ter te ajudado. – diz Isa, logo preparando a comida preferida de Gabriel
- Tia! Quanto tempo não como da sua comida, que saudade!
- Oun meu filho lindo, agora mesmo as crianças tão chegando, elas vão ficar tão felizes de te ver aqui! E você vai morar aonde?
- Bom, estamos alugando um apartamento perto da casa da minha mãe, que nem é muito longe daqui.
- Ah! Que ótimo, pode vir aqui sempre, hein?
- Claro tia! – e riu, e abraçou a tia, ainda com muita saudade de tudo nela.Alguns meses depois, Gabriel e Júlia se casam, e Isabella é madrinha do seu casamento, junto com Henrique, que logo ganhou o coração de Júlia, que o escolheu. Sua mãe, um pouco velha, foi ao casamento também, junto com a mãe de Isabella e uma outra irmã. Todos reunidos novamente, e todos mataram a saudade de Gabriel, e aprovaram sua nova esposa.
Essa história se complicou no meio, o inicio foi bem. Até, que se tornou um pouco ruim, no meio. A descrição, nessa parte: " E então, certo dia, ele começou a pensar em tudo que tinha feito até aquela idade. Pensou naqueles que o fizeram feliz, e na sua amada. Brigou muito consigo mesmo. Realmente não sabia o que fazer. Já tinha chorado um pouco, não estava agüentando essa indecisão."
ResponderExcluirMe pareceu mais uma descrição de Isabella, do que uma narração. Porque no início deste "parágrafo", começa com uma descrição usando a "pessoa" de Isabella, e Isabella não poderia saber dos pensamentos de Gabriel, sem ele ao menos compartilhar com ela, se compartilhou, não mostrou isso nessa história. O final foi legal. Mas essa história, poderia ter sido melhor. Daria uma nota 7.